O Caos que me acompanha

Tudo é diferente.

Uma das coisas que entendi desde muito cedo foi que cada pessoa absorve o mundo de forma única e completamente diferente. Não importa o quanto você queira que a realidade de outra pessoa se curve aos seus argumentos. O que a outra pessoa absorve é essencialmente diferente do que você absorveu.

Isso não significa que você está certo ou errado. Na maior parte do tempo apenas indica que pessoas diferentes tendem a enxergar coisas diferentes. Além do que tudo que enxergamos passa por um filtro interno que vamos construindo ao longo da vida.

Esse filtro é formado pela forma como fomos introduzidos na sociedade, pelas nossas crenças e valores profundos, pela forma como os adultos se comportavam perto de nós. É um mecanismo extremamente complexo e dificilmente nos damos conta da existência dele. Apesar de ter grande influência em como absorvermos as informações que chegam até nós.

Os atritos das diferentes versões.

Cada pessoa vai ter a sua versão de mundo. Versões construídas ao longo de muitas experiências e aprendizado. Pode até ser que alguns aprendizados possam estar equivocados ou que representem algum aspecto que tenha um peso negativo na sociedade. Quando duas pessoas com visão profundamente diferente se encontram e ambas as pessoas querem além de transmitir a informação provar que a sua visão esta correta, surgem os atritos.

Creio que podemos definir o atrito como sendo o resultado da colisão de duas ou mais versões de mundo diferentes. Como resultado dessa colisão temos as discussões e brigas. Principalmente quando uma pessoa tenta, de forma rígida e impetuosa, impor a sua versão de mundo as outras pessoas.

Mas precisamos de uma ressalva. Apesar de existirem várias formas de interpretar o mundo, algumas formas inegavelmente tendem para a maldade e a causar problemas para as pessoas e o mundo. Não trataremos dessa forma aqui. Além disso, não vamos nos propor a julgar ou identificar as características que podem ser identificadas nas versões de mundo ruins. Vamos nos ater ás versões mais leves e sutis.

Vida em sociedade.

Viver em grupo nos traz uma única certeza: teremos atritos e conflitos. Lidar com os conflitos é uma habilidade que todas devemos desenvolver. Sempre precisamos estar dispostas a entender o outro lado.

Já vivenciei os mais diferentes atritos ao longo dos anos. Principalmente por questionar as regras que todos seguem cegamente. Entendo que existem regras feitas para proteção. Regras escritas com sangue, onde alguém precisou morrer para a regra ser escrita. Como os limites de velocidades, obrigação de cinto segurança e uso de capacete. Existem também as regras que facilitam o controle de um grupo, como, por exemplo, a obrigação do uso do padrão USB-c na União Europeia e o padrão de tomadas no Brasil. Além disso, temos as regras que existem apenas para manter as coisas como são. Regras como o elevador de serviço.

Meu problema é justamente com o terceiro tipo de regra. Esse é o tipo de regra que as pessoas se apegam com muita força. Sem contar que essas regras não fazem o menor sentido prático. Elas só exitem porque alguém usa da força para se manter no poder. Não consigo seguir essas regras onde o único objetivo é a dominação. E para a maioria das pessoas esse grupo de regras está fortemente associado com as estruturas basilares do filtro que ela possui. A partir disso surgem os atritos. Não faz diferença um prestador de serviço subir no elevador social ou no de serviço. É apenas uma delimitação que existe para que alguém possa se sentir superior.

Ainda temos muito sobre o que falar desse tema. Mas continuaremos nas próximas semanas.

Referências e conteúdo de inspiração.

Nome Invalido Utilizado como base para as definições das regras. Teoria Socioconstrutiva de Vygotsky

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